sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ao pó voltaremos...


"Ela ficou muda. As vezes ela sente medo, as vezes está cansada. Hoje cansou-se demais...

Descobriu que as pessoas morrem e que morrerá também.

Descobriu que a vida é algo sarcástico, que te faz sofrer, porque te mata quando você começa a amá-la.

Será? Pode ser.

Descobriu que se pode ser triste. Descobriu que a depressão é realmente uma doença. Descobriu que, há algumas horas atras, ela não sabia nada e nesses 5 minutos tudo ficou claro, óbvio...

Descobriu que pode ser que a vida não tem nada de mágico. Que se acaba, assim como o papel se desmancha no fogo, como a maçã apodrece no campo, como a fumaça se esvai com o vento ao abrirmos a janela...

Tudo se acaba o tempo todo a nossa volta. E ela vai acabar um dia.

E descobriu mais: o mundo vai voltar a ser exatamente a mesma coisa que era antes dela nascer assim que ela acabar.

Ela não vai embora. Não não.

Ela também não vai fazer viagem alguma.

Apenas acabar. Sumir.

Assim como tudo um dia some, tudo se desfaz, tudo vira pó."


Ísis Brito, 2003. Alguma coisa me diz que eu não estava legal nessa época...

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