sábado, 31 de outubro de 2009

***RALOUIM***

Pois é... a festa de Halloween está chegando e todos estão entusiasmados para vestir suas fantasias monstruosas e/ou engraçadas e cair na gandaia. Apesar de ser uma festa americana, ela é muito popular no Brasil e no mundo, o que não é de se estranhar uma vez que tudo que surge nos EUA é bacana suficiente para que copiemos.

E embora eu esteja criticando o fato de a comemorarmos como eles, devo confessar que eu sempre adorei a festa das bruxas... sempre a achei tão autêntica, tão única, original!!!

!!!... não é.


Pra quem não sabe, o dia das bruxas é comemorado, originalmente, em muuuito países e diferentes culturas das mais antigas que se tem ideia e carregam diferentes sentidos mas, ainda assim, são muito parecidas. A mais peculiar que pude descobrir dias atrás é a Fiesta de los Muertos, do México.

É comemorada, coencidentemente, no nosso dia de finados, 2 de Novembro. E, assim como nosso dia de finados, tem a intenção de celebrar os mortos, não as bruxas nem nada místico como no halloween. Mas é uma festa tão grande e enraizada na cultura mexicana que a festa toma proporções mundiais, atraindo turistas do mundo todo, arrecadando fortunas para os cofres do país e sendo copiada também em países da europa e ásia.


Esta festa é comemorada desde antes da colonização mexicana, havendo registros da comemoração nas civilizações maias, astecas e entre outros povos que viveram na região central do continente há, pelo menos, 3 mil anos. Segundo Wikipédia:
"O festival que se tornou o Dia dos Mortos era comemorado no nono mês do calendário solar asteca, por volta do início de agosto, e era celebrado por um mês completo. As festividades eram presididas pela deusa Mictecacíhuatl, conhecida como a "Dama da Morte" (do espanhol: Dama de la Muerte) - atualmente relacionada à La Catrina, personagem de José Guadalupe Posada- e esposa de Mictlantecuhtli, senhor do reino dos mortos."



Eis a "Dama da Morte":











Simpática, não?





Mas a festa, que mais parece com um carnaval, nada mais é do que o halloween mexicano. Assim como o americano, possui comida típica, música típica, vestes típicas, etc.. porém, até onde percebi, o día de los muertos veio antes.. temos que dar os devidos créditos, hein!!!

É servido um verdadeiro banquete nesta comemoração, mas são aperitivos específicos tanto para os vivos como para os mortos que puderem comparecer (há suspeitas e inclusive expectativas que os parentes e amigos que já morreram participem da festa também...). A comida típica que me pareceu mais gostosa é o crânio feito de açúcar e chocolate, também é o preferido da garotada mexicana por motivos óbvios... mas tem ainda o 'pan de muerto', um pão doce recheado com creme e coberto com açúcar.. seria um Sonho?







Durante as festividades são entoadas as chamadas 'caveiras', que são rimas humorísticas sobre o tema. Como podem ver, é uma festa carregada de muito humor, tradição e saudosismo, porque o verdadeiro motivo da festa é relembrar os antepassados de forma positiva e alegre.

E porque não?


*Ouçam Mummer's Dance, da bruxa wicca Loreena McKennitt.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

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Essa mulher que está na foto está na frente do meu trabalho todo dia de manhãzinha. Acorda cedo pra ir até lá porque costumamos dar a ela pão e café.
Todos os dias ela está com uma roupa diferente, seguindo sua própria moda, tão peculiar quanto sua existência. O que ela acha na rua, ela recicla. Uma vez vi ela usando sapato de salto alto vermelho, acho que alguém deu a ela ou ela achou o par em algum lugar, mas o interessante é ela manter a vaidade, apesar de, aparentemente, não ter conseguido manter a sanidade. Falo isso porque esta mulher é indigente.. não tem casa, comida, roupas, amigos. Fala sozinha, anda sozinha (e anda bastante, porque já a vi bem longe de onde eu moro e do trabalho, mesmo assim todo santo dia de manhã ela está lá!), dorme sozinha, se veste sozinha... um dia, quando fui entregar seu café da manhã (detalhe: ela fica esperando DO OUTRO LADO DA RUA que lhe entreguemos o dito-cujo), ela estendeu uma cédula dessas miniaturas falsas de banco imobiliário... e sorriu. Eu fiquei intrigada: será que ela estava tirando uma com a minha cara? Ou quem sabe quis simbolizar gratidão com a atitude? Ou quem sabe realmente achou que me pagava em dinheiro pelo agrado de todos os dias..? Sei que eu fico intrigada com ela... não consigo ter certeza se ela conseguiria contar sobre a sua história, dizer seu nome e tal, ou se tanto tempo sem a atenção de amigos ou familiares a teriam deixado louca... só sei que, se comunicando com a gente ou sozinha, a impressão que dá é que ela fala outra língua. Impossível decifrar o que sai com voz baixa e tímida de dentro dela..

Eu tenho vontade de tentar conversar com ela um dia. Na frente da minha casa mora uma senhora de seus 60/70 anos que já foi matéria no jornal Bom Dia e TV Tem. Ela é negra, deve ter menos de um metro e meio, vive cheia de trouxas de pano onde guarda seus pertences e dorme na calçada do vizinho. Ela é bem diferente da mulher que vai no meu trabalho. Ela vai até as casas pedir água e até puxa papo com as pessoas, quando consegue dinheiro compra marmitex (e alimenta o bolo de gatos que a cercam), de alguma forma se mantém limpa, roupas limpas e coisas do tipo, enfim, pode-se dizer que é bem organizada. O que a fez ser matéria de jornal é o fato de que já ofereceram trabalho a ela em troca de um lar (faria faxina na casa e, consequentemente, moraria lá), já tentaram leva-la a um albergue (cujo lugar já visitei e é acolhedor!), mas ela se recusa a esse tipo de "caridade". Ela mora na rua porque GOSTA! Ou quase isso.. O fato é que ela prefere morar na rua a ter que aceitar regras ou assinar acordos, o tipo que preza a liberdade acima de tudo... não sei se conseguiria viver como ela, mas a bandeira que ela levanta é louvável, digna de admiração, não é? Além disso, a história dela é bem sofrida e triste, o que já é de se esperar de uma pessoa que tem tanta paixão pela liberdade e aversão por aqueles que sentem pena dela. Não vou contar a história porque é longa, mas envolve abandono dos filhos, preconceito e essa coisa toda..
Mas eu citei a senhora sem teto porque justamente, histórias assim nos fazem refletir, quer dizer, tudo tem um porquê. Eu tenho muita curiosidade de saber o porquê da mulher da foto. O que teria acontecido para ela chegar a esse ponto? O que não teria sofrido até ali? Como vive nessas circunstancias? Até quando?
E tudo o que podemos fazer pra ajudar é oferecer um pãozinho com café?

* Ouçam O Resto do Mundo, do Gabriel o Pensador.
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